Se nós não perdoamos, o que é que acontece?

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Como podemos lembrar-nos de perdoar o mundo pelos seus defeitos e perdoarmo-nos a nós mesmos pelos nossos próprios defeitos?

O Perdão é uma força divina poderosa. Perdoar os outros é uma tarefa difícil. Perdoar as imperfeições dos outros é uma tarefa ainda mais difícil. Não se aperceber de nada de errado nos outros é dificílimo. Mas quando pensamos em Deus, tornar-se mais fácil para nós perdoar os outros. Quando oramos a Deus, tornar-se fácil esquecer as falhas, limitações e imperfeições dos outros. Quando meditamos em Deus tornar-se fácil para nós não nos apercebermos de nada de errado nos outros.

Em raras ocasiões nós vemos imperfeições em nós mesmos, mas vemos sempre imperfeições nos outros. Agora, quando descobrimos que somos imperfeitos ou que fizemos algo errado, o que fazemos? Perdoamo-nos a nós próprios imediatamente, ou ignoramos o facto de que fizemos algo errado ou decidimos virar a página e nunca mais voltar a fazê-lo.

Se os outros fazem algo errado, e nós não perdoamos, se alimentamos pensamentos não-divinos contra eles e queremos puni-los por isso, nós nunca vamos encontrar verdadeira satisfação.

Para nos satisfazermos a nós próprios, a nossa realidade, nós devemos perdoar os outros também. Perdão é iluminação. Temos de sentir que perdoando os outros nos estamos a iluminar a nós mesmos, o nosso próprio Eu expandido e dilatado.

Se nós não perdoamos, o que é que acontece?

Estamos a colocar uma carga muito pesada nos nossos ombros. Se eu fiz algo errado e não tento perdoar a mim próprio ou iluminar a mim próprio eu vou nutrir a ideia de que fiz algo errado. E cada vez que penso nessa minha ação errada vou apenas colocar sobre mim uma carga pesada de culpa. De forma similar, se outros me fizeram um ato de injustiça, quanto mais eu penso nisso, mais pesada se torna a minha carga de raiva e ressentimento.

Agora, eu tenho de correr em direção à minha meta. Se eu coloco uma carga nos meus ombros, como é que eu vou correr? Eu vou ver que os outros estão a correr muito rápido enquanto eu mal posso andar.

É sempre aconselhável perdoar os outros e perdoar-me a mim mesmo. No entanto temos de saber quem é que está a perdoar quem. Eu, enquanto indivíduo, não tenho o direito de perdoar os outros nem de perdoar a mim mesmo. É o Divino no meu interior que me está a inspirar a elevar a minha consciência para a Luz, para uma Luz mais elevada, para a Luz mais elevada. Um ato de perdão significa um movimento para uma realidade mais elevada. E quando nós alcançamos essa Realidade mais elevada, nós tornamo-nos unos com a Realidade omnipresente.

Nós somos todos uma parte integrante de um organismo vivo. Se eu só tenho dois braços, estou incompleto. Se eu só tenho duas pernas, também. Então, eu tenho de aceitar os outros como uma parte de mim mesmo. Primeiro aceito-os, depois transformo-os. E quem é que eu estou a transformar, senão a minha própria realidade expandida?

Perdoa, vais ter felicidade!
Esquece, vais ter satisfação!
Perdoa e esquece
Vais ter uma paz, interior e exterior, permanente.  

 Excerto do Livro “Perdão” de Sri Chinmoy